LUÍS GOMES: A COLUNA PRESTES

A “Grande Marcha” realizada entre abril de 1925 e fevereiro de 1927 por militares e políticos no Brasil da República Velha representou uma revolução anarquista contra o conservadorismo institucional e a manutenção do oligarquismo ruralista. Assim, o grande ideal progressista da Coluna Prestes era de salvar a Pátria da estagnação e da miséria.
O movimento itinerário teve início no Rio Grande do Sul. Os revoltosos contavam com aproximadamente mil e quinhentos homens, percorrendo por volta de vinte e cinco mil quilômetros em terras tupiniquins, por onze estados federativos, tendo ao encalço, policiais, guarnições locais e até jagunços.
Um trecho do poema de Jetro Fagundes, “O cavaleiro da esperança – Um cordel para Luiz Carlos Prestes” esclarece um pouco mais sobre a epopeia da Coluna Prestes:

Nos anos vinte o que muito se via / era a Coluna Prestes pelo Brasil / combater retrógradas oligarquias / deitadas no berço esplêndido varonil

Combatendo tantos tipos de esquemas / a Coluna nas cidades, zonas rurais / denunciava os anacrônicos sistemas / e pregava reformas políticas, sociais

Quem quiser ter noção do incrível / basta pesquisar o que aconteceu / A Coluna Prestes foi imbatível / nem de longe uma batalha perdeu

E se não derrubou os governantes / da República Velha desse Brasil / deixou marcas profundas, marcantes / conscientizando a sociedade civil

Muitos historiadores reacionários / tentaram e ainda tentam esconder / a coragem do Capitão Revolucionário / que fez estrago aos donos do poder

Seus atos de heroísmo, de bravura / pelo voto secreto, pela educação / causaram abalos nas estruturas / da República Velha dessa nação

E como um Cavaleiro da Esperança / por ele e pelos movimentos sociais / lutava por verdadeiras mudanças / sólidas, radicais e estruturais

Considerado um verdadeiro mito / líder lendário da Coluna Popular / após ter feito pra lá de bonito / é na Bolívia que vai se exilar

Na Bolívia exilado segue sua saga / até que um dia volta à terra natal / pra rejeitar a proposta de Vargas: / chefiar tropas da Aliança Liberal

Nesse período o Capitão Revolucionário / numa viagem lá pros rumos de Moscou / conheceu a guerrilheira Olga Benário / alemã com quem apaixonado se casou.

No Rio Grande do Norte, apenas duas cidades fizeram parte do percurso do grupo: São Miguel e Luís Gomes. Na terra de Santana, segundo Nonato (2009), os revoltosos seguiram pela ladeira dos Miuns e, em seguida, para o Sítio Imbé, na residência do destemido Major Baltazar Meireles, na tarde de 04 de fevereiro de 1926. 
O Major e mais quinze homens, ao saber do ocorrido, se dirigiram ao Sítio Imbé, na manhã seguinte, mas são capturados nas proximidades. Os insurgentes que compunham o agrupamento eram em torno de 1400 homens e por volta de 100 mulheres. Naquela localidade o “Cavaleiro da Esperança” relatava a situação do país, os objetivos da Marcha, no intuito de engrossar as fileiras daquela expedição. Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, líderes daquela insurreição, juntamente com os demais, traçavam estratégias para evitar confrontos com forças repressivas e seguir a jornada com segurança.
Apesar do ideário libertador e de defensores da pátria, a Coluna tomou atitudes, muitas vezes, de desordeiros e de impatrióticos, ao saquearam a fazenda, recolhendo mantimentos, além de abater animais e incendiar cercas e canaviais e ameaçar a vida do proprietário, que teve a vida preservada por conta das súplicas da própria esposa.
Enquanto isso, na Vila era organizado o “grande conselho da resistência”, uma contraofensiva de trinta homens armados de rifles e fuzis. Entretanto, ao saber do tamanho do contingente inimigo que se aproximava, a milícia fugiu, as portas das casas imediatamente se fecharam e várias pessoas evadiram pelas matas adentro.
A “Coluna Prestes” chegou à sede de Luís Gomes por volta das 8 horas do dia 05 de fevereiro de 1926. O comando maior se instalou na estação telegráfica e demais homens ficaram à espreita pelas ruas e redondezas, em vigília. Depois desativaram o telégrafo para evitar qualquer informação sobre o grupo revoltoso, soltaram os presos da cadeia, distribuíram cortes de tecidos a moradores, destruíram documentos do Cartório Oficial e saquearam os estabelecimentos comerciais, principalmente aqueles que se encontravam fechados. Finalmente deixaram Luís Gomes e seguiram para o Estado da Paraíba, para o município de São João do Rio do Peixe.