LUÍS GOMES: FUTEBOL E RESENHA

Em matéria de futebol, Luís Gomes é uma cidade apaixonada. Grandes conquistas, inesquecíveis jogadores e histórias marcantes. É bem verdade que, atualmente, o esporte não tem a mesma magia e encantamento. Torcemos por novos tempos de glória e de efusividade.
Contudo, um cenário de muitas histórias, causos e resenhas, algumas célebres e outras pouco conhecidas. De qualquer forma, uma oportunidade para relembrar personagens e momentos rememoráveis, em um contexto multicultural, dinâmico e democrático.
O primeiro relato que apresentamos trata de Lavrado, uma figura conhecidíssima e folclórica, em Luís Gomes. Em se tratando de futebol é um dos mestres da resenha esportiva da cidade. Muitos já o ouviram dizer que batia o escanteio e corria até a área para fazer o gol. Além de tudo, anedótico.
Jogador ponta de lança, habilidoso e extremamente veloz, Lavrado também jogou no Ypiranga. Numa bela tarde, sua equipe enfrentou o Serrano, no Nia Torquato. Lavrado estava “arrebentado” com a defesa adversária. O técnico resolveu inverter a posição do lateral, Pedro de Anja, na tentativa de bloquear, exclusivamente, as investidas do ponta endiabrado.
Pouco tempo depois, Lavrado parte para cima de Pedro e, além de “meter a bola entre as canetas”, sendo o adversário cambota, passa por entre as pernas, para espanto de todos. Nisso, Pedro corre atrás na tentativa de barrar a jogada, se joga sobre as costas de Lavrado, que mesmo com um considerável peso sobre os ombros, continua seu intento até balançar as redes. Em seguida, lança Pedro de suas costas para dentro do gol, sobre a rede. A galera vai ao delírio!
Além de bom jogador, Lavrado não levava desaforo para casa. Durante uma partida resolveu chutar, mas Agimiro, o goleiro, agarrou com tranquilidade, “tirou um sarro” dele balançando a bola entre as mãos. Nisso, Paulo de Basa disse, no meio do campo:
– Olha aí, Lavrado!? O goleiro gozando com tua cara!
O baixinho arretado respondeu:
– Deixa que ele me paga!
Em outro lance, Lavrado recebeu a bola na zona central do campo, saiu desgarrado, com uma determinação diferente. Seguiu em direção ao goleiro e chutou forte. O goleiro “bateu roupa”. Ele pegou o rebote e chutou de novo: bola, goleiro e tudo que viesse pela frente. Fez o gol e ainda quis meter a mão na cara de Agimiro. A turma do “deixa disso” acalmou os ânimos.
Realmente, esse Lavrado sabe “causar”!
O jogo, muitas vezes, também tem narração. A equipe de esportes da Mandacaru FM marcou época com transmissões a beira do campo, principalmente no Estádio Nia Torquato. Várias foram as “jornadas”. Numa dessas, durante o intervalo de uma partida, um dos repórteres de pista resolveu entrevistar um torcedor, que parecia um tanto quanto distraído e alheio:
– O que achou do jogo?
A resposta destoou:
– Achei esse pente aqui. É seu?
O repórter, meio aturdido, disse:
– Segue daí companheiro (para o narrador)!
Em Cajazeiras, em jogo pela Copa Difusora, entre 26 de Julho e Palmeiras de Major Sales, a equipe esportiva da Mandacaru, nas pessoas de Parcifal Pereira, Mário de Ramos, Mércia Gomes e Jota Grandão, foram realizar a cobertura de um grande jogo, que envolvia uma das maiores rivalidades da região.
O intuito da equipe da rádio era repassar todos os lances para os ouvintes de Luís Gomes e adjacentes. Entretanto, aconteceu um imprevisto. Credenciados, deveriam se posicionar próximo ao campo, em área para jornalistas. Só que para tal, era necessário, primeiro, passar pelos túneis de acesso e depois se dirigir ao campo de jogo. Poucos sabem, mas o quarteto jornalístico ficou a dar voltas sem encontrar o acesso ao campo. Enfrentavam um verdadeiro labirinto. Depois de muito caminhar, encontraram o caminho certo, quando a partida já se aproximava do início do segundo tempo.
Desconcertados, ficaram se questionando como repassariam as informações do jogo, no dia seguinte, sendo que acompanharam apenas a segunda etapa da partida.
Imprevistos são coisas mais comuns do que imaginamos no contexto que envolve o futebol.
Segue o jogo...
E quando se tem um lance capital, como um pênalti? Em jogo entre as equipes de Sousa e 26 de Julho, partida bastante acirrada, em jogada tramada pelo ataque da agremiação luís-gomense, a arbitragem marca a penalidade. Nessa época, o presidente do 26 era Pedro de Anja, a quem Valdir de Adjunto Carlos pedira para ser o cobrador, assim proferindo, todo posudo:
– Pedro, deixa eu bater!?
– Pois não!
Tudo preparado, lá foi Valdir em disparada em direção a bola. Tragicamente, chutou a bola na própria mão, que não saíra dois metros de distância da marca penal. Confiante na missão, não prestara atenção no que acontecera, saiu comemorando:
– Gol!!!
Que nada. O árbitro apitou toque de bola na mão. Pênalti perdido e o jogo seguiu...
Vamos adiante.
Há uma resenha bem curiosa que tem como cenário o campo do distrito de Caiçara, município de Paraná/RN. Um time de veteranos de Luís Gomes deslocou-se até aquela comunidade para enfrentar o time local, saindo vencedor do confronto. Ao fim da partida, Doval se desentendeu com alguns jogadores daquele povoado e correu para dentro de uma Van e lá se abrigou.
Entretanto, uma mulher pede para que abra a janela do carro, dizendo que gostaria de beijá-lo. Doval, por curiosidade ou ingenuidade, resolveu atender à solicitação. Posicionou-se, fez um biquinho e, de repente, uma chinelada no meio da cara. Dói só de pensar. Ficou marcado no rosto o número 34 da sandália, da marca Havaianas.
É bem possível que essa mulher, depois da chinelada, tenha dito: “Vitória na guerra!” (risos).
Há uma outra crônica-piada muito boa, ocorrida no vizinho estado da Paraíba. O 26 de Julho havia jogado na cidade de Sousa com uma equipe muito boa, memorável, vencedora de muitos títulos, como a Copa Difusora, por duas vezes, e a Copa União. Presentes estavam o técnico Evaldo, Zilmar (presidente), Croc, Lenildo, Alisson, Bergue, Raimilson, Lindaelson, Alberto (Lorim), Isaque, Neto, Roberto, Carlinhos, Sales, Marinho, entre outros.
Quando a equipe retornava num veículo de lotação, as brincadeiras e a zoação era geral. Ninguém escapava. De repente, um jogador da defesa resolveu filosofar, quando da passagem de um trem, para delírio da galera:
– Já pensou se o trem estourasse os pneus?
Do fundo, o pessoal não perdoava, em tom de ironia:
– Um bicho desse “pega” rodas pra caramba!
E outro:
– Imagina a quantidade de estepes!
Como vemos, o futebol de Luís Gomes tem uma história diferenciada, vitoriosa e, muitas vezes, cômica. Evidentemente, existem muitos outros acontecimentos e causos que essas linhas breves não teriam a pretensão e nem a ciência de recontar. Nesse momento, agradecemos as contribuições de Antonio Roberto Fernandes do Nascimento, Evaldo Montes, João Jandui, José Alberto Fernandes do Nascimento, Mário de Ramos, Paulo de Basa, sem as quais essa narrativa não seria possível.
Para finalizar, dizer que o esporte além de promover a cultura, a arte e até a literatura, também ajuda a construir valores importantes como a solidariedade, o respeito, os limites, a amizade, a identidade, a dignidade, a valorização do trabalho em equipe e a excelência. Por tudo, viva o futebol de Luís Gomes! Viva a nossa cultura! Viva a nossa gente!

Autoria: Francisca Mércia de Santana Gomes Fernandes